Sábado, 10 de abril
de 2010 - 23:22
Hora
de lavar as mãos
Para
evitar doenças respiratórias como a gripe,
população se preocupa com pequenas mudanças
de hábitos diários

Daniela Fenti
Agência BOM DIA
Chegou o frio. E com ele, a preocupação com
as variedades de gripe, que devem atingir
cerca de 40 mil rio-pretenses neste ano.
Em
relação à gripe suína, pesquisa recente
realizada pela APPM (Análise, Pesquisa e
Planejamento de Mercado), com mil
entrevistados da capital paulista, mostra
que 45% das pessoas não têm medo, 33% têm
pouco medo e apenas 22% têm muito medo da
doença.
Mas,
53% do grupo afirma ter mudado hábitos, como
lavar mais as mãos, usar álcool gel, evitar
aglomerações em locais fechados, não apertar
a mão de outras pessoas, evitar transporte
coletivo e passar a tomar medicamentos e
vitaminas.
No
Interior também há bons exemplos de mudanças
simples e eficazes para prevenir a
contaminação, como a família da dona-de-casa
Débora Volga Santos, 31 anos, do distrito de
Engenheiro Schmitt. Ela passou por
quimioterapia e, por causa da baixa
imunidade, redobrou os cuidados em casa.
O
pequeno Ruan Volga Guerra, 4 anos, aprendeu
a lavar as mãos corretamente, conforme as
orientações dos médicos da mãe. Hoje, assim
que ele chega da rua, procura pelo sabonete
e pela torneira. Na escolinha, também leva a
própria toalha para se enxugar. “O Ruan
costuma lavar as mãos o tempo todo. Umas dez
vezes por dia”, afirma Débora.
Diversas entidades como hospitais, igrejas e
escolas também continuam vigilantes depois
da pandemia de 2009. No Colégio Santo André,
os bebedouros foram inutilizados e cobertos.
Cada um dos cerca de 2 mil alunos tem sua
própria caneca para beber água. Além disso,
as salas de aula e as demais dependências do
prédio têm álcool gel.
Para
a coordenadora técnica das doenças e agravos
transmissíveis da Vigilância Epidemiológica
de Rio Preto, Andréia Francesli Negri dos
Reis, é preciso que as pessoas tenham
consciência coletiva do problema.
“Como
observadora, noto que há lojas e
supermercados que oferecem álcool gel apenas
para os funcionários”, alerta.
A
gripe sazonal e a gripe suína, assim como
outras doenças respiratórias, são
transmitidas por meio de tosses ou espirros
e também pelo contato com superfícies
infectadas. Por isso, a orientação dos
profissionais de saúde é que se evite tocar
olhos, nariz e boca com as mãos sujas.
Vacina
Outra medida importante é a vacina. O
Ministério da Saúde realiza até o dia 21 de
maio uma campanha nacional contra a gripe
suína, com foco nos grupos mais afetados
pelo vírus H1N1 no ano passado. A previsão é
que cerca de 240 mil rio-pretenses recebam
as doses gratuitas da vacina.
Gestantes, crianças de 6 meses a 2 anos,
doentes crônicos e jovens de 20 a 29 anos
têm até o dia 23 deste mês para se vacinar
em uma das 25 UBS (Unidades Básicas de
Saúde) da cidade. Até quarta-feira, só
33.186 mil pessoas foram vacinadas – a meta
para essa população era de 106.231.
A
quarta etapa, que começa no dia 24, prevê a
imunização de portadores de doenças crônicas
com mais de 60 anos. No mesmo período, é
iniciada a campanha de vacina contra a gripe
sazonal em idosos.
O
último grupo será de adultos entre 30 e 39
anos, a partir de 10 de maio. Quem não se
encaixa nesses perfis e pretende se vacinar,
deve procurar as clínicas particulares nos
próximos dias.
A
Unimed deve receber o primeiro lote nesta
semana. A Uninfância estima que as
encomendas cheguem até o começo de maio.
Ainda não foram definidas as tabelas de
preço.
Mudança climática agrava as
estatísticas da gripe
Dos cerca de 40 mil rio-pretenses que devem
ter gripe neste ano, por volta dos 90% devem
ficar doentes neste inverno.
No
primeiro trimestre, o programa Sentinela, do
Pronto-Socorro Central, registrou 34.935 mil
atendimentos. Desses, 5% apresentaram
sintomas de gripe.
A
média é parecida com a do verão 2009.
Naquele ano, o menor índice foi em janeiro,
com 3% de pessoas gripadas, e o pico, de
20%, em setembro. Nos doze meses, cerca de
11 mil pessoas tiveram sintomas gripais na
unidade, o que corresponde a 10% de todos os
pacientes que passaram pelo local.
“Com
a mudança climática da última semana, a
tendência é aumentar os casos”, diz a
coordenadora técnica das doenças e agravos
transmissíveis da Vigilância Epidemiológica
de Rio Preto, Andréia Francesli Negri dos
Reis.
Também entre janeiro e março de 2010, foram
notificados 40 casos suspeitos de síndrome
de doença aguda grave na cidade. Isto é,
pessoas com febre, tosse e dificuldade para
respirar. Do total, 23 exames foram
negativos, 14 aguardam diagnóstico e três
foram positivos para a gripe suína.
Um
homem morreu com suspeita de gripe suína,
dengue ou leptospirose, mas o resultado da
necropsia ainda não foi divulgado. Em 2009,
sete pessoas morreram, vítimas da gripe
suína em Rio Preto.
Sentinela
O programa Sentinela, um dos oito do estado,
coleta secreção nasal de pacientes
semanalmente.
Todo
o material é enviado para análise no
Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e os
dados são inseridos no levantamento do
Centro de Vigilância Epidemiológica do
Estado. Depois, são observados os
principais tipos de vírus circulantes para
que se possa desenvolver as futuras vacinas.
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